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POR QUE AS MÃES FALAM MANHÊS?

Captura de tela 2013-05-15 às 22.19.18Manhês é como chamamos a linguagem especial que a mãe usa para falar com seu bebê e traduz afetividade. Este modo de falar tem relação com a função materna, por isso é usada em geral pela pessoa que cuida do bebê (não necessariamente só pela mãe) e que tem uma relação de afeto com ele.  Esta forma de falar é observada também em outras culturas.
Podemos ir ainda um pouco mais longe… Esta forma carinhosa de falar também é usada com animais de estimação, que para alguns são verdadeiros bebês! Porém, ainda não tive acesso a nenhuma pesquisa científica sobre os animais. Só me refiro a observações cotidianas.
Esta linguagem tem características próprias como: palavras no diminutivo (lindinho da mamãe!), ausência ou troca de fonemas (papá ta gotoso?), timbre agudo da voz, frases simples e o uso da 1ª pessoa do singular para falar no lugar do filho, como se fosse ele falando.
Quando a mãe fala com seu bebê ela promove um verdadeiro diálogo porque provoca reações prazerosas no bebê (sorrisos, gestos, gritinhos e vocalizações) que funcionam como respostas e que por sua vez reforçam a fala da mãe. Esta responde ao filho como se ele estivesse verbalizando algo.
Somos nós, pais, que interpretamos as reações e necessidades do bebê, o que ele sente e o que ele quer, dando significados a tudo isso, de acordo com nossa subjetividade e nosso desejo. É desta forma que o introduzimos no mundo simbólico. E isto, num primeiro momento, é necessário para que ele sobreviva e é estruturante no que diz respeito ao desenvolvimento do seu psiquismo.
Observamos que essa fala dá lugar a uma estrutura de linguagem mais natural e menos infantil com o passar dos meses.
Neste jogo simbólico a linguagem que a mãe utiliza para falar com seu bebê é reflexo de um movimento regressivo por parte dela para identificar-se com seu filho e poder atendê-lo em suas necessidades. E o bebê, por sua vez, ao emitir suas vocalizações, também está identificando-se com o falar da mãe.
Pesquisas mostram que quanto mais falamos com o bebê, mais ele vocaliza ou balbucia. É um processo retroalimentado.
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TODOS OS FILHOS PRECISAM SER ADOTADOS

 

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É isso mesmo. Os pais, embora tenham gerado seus próprios bebês, também precisam adotá-los. E a razão disto é que o vínculo biológico não garante o “apego” * ao bebê. É preciso que seja feito um investimento emocional neste bebê. Isso também explica o fato de uma criança poder fazer vínculo com pais substitutos.
Em uma das definições do dicionário, adoção trata-se de ação ou efeito de aceitar alguém ou algo. Portanto, os pais precisam aceitar, reconhecer, achar um ponto de identificação com seus filhos, vendo alguma parte “sua” naquele bebê.
Esse investimento no bebê começa muito antes da mãe engravidar ou durante a gestação, quando o bebê já faz parte dos planos e das fantasias dos pais e ocupa um lugar no desejo parental, na vida do casal. Mesmo assim este investimento deve continuar após o nascimento, quando o bebê imaginado dará lugar ao bebê real.
O bebê, desde muito cedo, é capaz de estabelecer relações com seus pais. E é fundamental que se acredite que a constituição subjetiva deste bebê se dá tão precocemente para que sejam endereçados a ele, desde o início de sua vida, as palavras, o olhar e o toque que serão fundamentais para a estruturação do seu aparelho psíquico.
 É desta forma que ele vai saber o significado de sua existência e o lugar dele no desejo parental. É através do olhar do outro que ele vai se reconhecer e receber as mensagens que lhe dirão quem ele é. O bebê que não é tocado devidamente, a quem não se dirige a palavra e o olhar, ou que é privado de afeto, pode apresentar falhas no desenvolvimento físico e psíquico.
Descobertas como estas, feitas por pesquisadores, influenciaram fortemente decisões na área da saúde. Uma das ações foi permitir a entrada dos pais na UTI Neonatal para acompanhar e se aproximar de seus filhos, favorecendo a formação do vínculo e a recuperação mais rápida do bebê. Seguindo este mesmo pensamento, o método mãe-canguru, que visa acelerar o desenvolvimento de bebês prematuros através do contato físico entre os pais e o bebê, também trouxe grande benefício.
Enfim, acreditar que desde os primeiros dias de vida do bebê está se construindo uma relação é fundamental para que os pais dirijam-lhe a palavra, o olhar e o toque de modo muito mais especial.
* Teoria do apego:  expressão para denominar o vínculo formado entre o bebê e a mãe ou a pessoa substituta, ao longo do seu primeiro ano de vida. Expressão criada por Bowlby, psiquiatra que se dedicou ao estudo do desenvolvimento infantil.
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        AS HISTÓRIAS FAMILIARES E A TRANSMISSÃO ENTRE GERAÇÕES

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Nós, seres humanos, diferentemente dos outros animais, não temos um dispositivo no nosso código genético que nos permita sobreviver e nos constituir sem o cuidado de outro ser humano durante um longo período. Por esta imaturidade física e psíquica, nascemos numa condição de total dependência.
Como resultado desta dependência,  o bebê humano será forçosamente marcado, desde o início, pelo relacionamento primordial com seus pais ou substitutos destes. Deste modo, a subjetividade do novo bebê em vias de constituição será entrelaçada, atravessada pela subjetividade de seus pais. É uma questão de sobrevivência.
Entendamos subjetividade como o mundo interno, constituído pelos desejos, emoções, idéias, pensamentos, valores, significados… É tudo isto presente nos pais que deixará alguma marca em seus filhos. É nesta relação de dependência que será feito o investimento emocional necessário para estruturação psíquica do bebê; é quando dar-se-á o nascimento psicológico,  o surgimento de um sujeito, desde os primeiros dias de sua existência e mesmo antes de nascer, quando ele já faz parte do mundo de fantasias dos pais.
Neste processo de constituição, serão os pais ou seus substitutos que transmitirão os primeiros significados e que falarão pelo bebê. Eles serão os mediadores da linguagem, do mundo simbólico que já existe previamente ao nascimento dele. Serão os pais que vão interpretar e atender as necessidades dos filhos. E não há como fazer isso a não ser a partir dos próprios desejos, de suas histórias familiares, dos relacionamentos com seus próprios pais.
Esta pré-história familiar, que começou muito antes do bebê nascer e na qual ele será incluído, será transmitida através da linguagem e servirá de referência na construção da identidade dele. Essa transmissão se dará através das gerações e são histórias com as quais ele irá se identificar ou se diferenciar. Repetir ou fazer diferente. Essas escolhas se darão em função das redes de identificações produzidas pelos laços familiares.
Enfim, para que este bebê deixe de ser um organismo vivo e passe a condição de sujeito ele terá que ser marcado pela história de um outro ser humano, mesmo que futuramente faça uma releitura desta história e possa se vincular a ela de maneira diferente. Essas histórias serão a herança familiar e a transmissão é psíquica.
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SERÁ QUE EU TENHO LEITE SUFICIENTE PARA ALIMENTAR MEU FILHO?

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É de conhecimento geral que todas as mães são capazes de amamentar, sendo raríssimas as exceções.
Então o que faz com que muitas mães duvidem da sua suficiência láctea para prover seu bebê de alimento? A natureza capacita a mulher para amamentar como um ato de sobrevivência para a espécie humana. Mesmo assim ela duvida. Duvida que seu peito tenha leite se ele não está todo pleno por ocasião do nascimento do bebê. Duvida se não vê aquele líquido branquinho jorrando e da qualidade do colostro. Duvida se o bebê permanecer chorando após a mamada, esquecendo que o bebê pode chorar por diversas outras razões. Duvida porque não consegue ver pra crer o quanto o bebê sugou.
O esclarecimento quanto à descida do leite é muito importante sim, e se não for suficiente para que a mãe se sinta segura pode levá-la (pressionada pela família) a se precipitar e querer alimentar o filho com leite complementar.
Para muitas mães o choro do bebê traz tanta angústia que seu desejo imediato é aplacar a fome do bebê o mais rápido possível. E se a família por perto não estiver esclarecida quanto à qualidade do colostro ou à descida do leite, ela não se sentirá segura e determinada o bastante para fazer suas tentativas.
Histórias de insucesso no aleitamento das mulheres da família (avó, mãe e irmã) também podem levar à crença errônea de incapacidade da mãe para amamentar.
São diversos os motivos que podem levar uma mãe a não amamentar seu filho: problemas na mama (“empedramento”, fissuras no bico, mastite – que podem ser evitados se a mãe for bem orientada), tensão psicológica, depressão pós-parto, pressão familiar, falta de orientação e informação, conflitos inconscientes e tantos outros que não seria possível descrever aqui.
O apoio da família é fundamental porque toda a situação da gestação, do parto e do aleitamento mobiliza muito    emocionalmente a mulher, pondo em questão suas construções inconscientes. Além de tudo isso ela ainda precisa se sentir capaz de cuidar do filho e ter alguém que a ajude nos afazeres domésticos para que ela disponha de tempo e tranquilidade para amamentar.
Este apoio é para que a mulher sinta-se bem, descansada, alimentada física e emocionalmente. E tudo isso funciona como incentivo ao aleitamento que requer muita disposição, desejo, disponibilidade, tempo e paciência, requisitos que não encontramos disponíveis no mercado, mas no apoio familiar.
O estado emocional, pensamentos e desejo materno têm forte influência na liberação do hormônio responsável pela ejeção do leite, a ocitocina (além do leite ser produzido ele precisa ser ejetado). Além da estimulação pela sucção, a mãe pode produzir este hormônio somente em ouvir o choro, sentir o filho nos braços, olhar com carinho para ele. Por esta razão ela sente a mama contrair quando é chegada a hora de amamentar. Se a mãe não está bem, este reflexo de ejeção do leite pode ser inibido, se ela está confiante na sua capacidade de amamentar, o leite descerá sem dificuldades. As contrações sentidas no útero enquanto o bebê suga também sinalizam a liberação da ocitocina, faz com que ele reduza de tamanho e diminua o risco de hemorragia no pós-parto. A liberação deste hormônio é que dá a mãe a sensação de prazer na relação com o bebê.
“A ocitocina é o hormônio de todas as ejeções, ejeção do esperma, ejeção do bebê, ejeção do leite, é também um hormônio gerador de prazer e tímido, por isso, os profissionais recomendam amamentar em um lugar tranquilo. Os animais se escondem para parir exatamente porque a ocitocina não é liberada com tanta facilidade como pensamos” – lembra bem Fabíola Costa, especialista em amamentação.
Por tudo isso, a amamentação deve ser entendida como um composto bio-psico-social, e as campanhas para sua promoção não devem visar somente à mulher, mas também à comunidade mais próxima a ela.
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 BABÁS, CONFORTO OU PREOCUPAÇÃO ? 

DESENVOLVA SUA BABÁ

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No mundo corporativo, quando um profissional precisa ser contratado para exercer uma função, leva-se em conta o perfil do cargo, as habilidades necessárias para executar o trabalho, as atitudes, o estilo de vida, enfim, são muitas as variáveis consideradas. Mas, o que deve ser privilegiado quando chega a hora de contratar uma profissional para cuidar dos filhos e lidar intimamente com a família? Qual é a qualificação desejada?

De fato, o olhar para estas questões é bem diferente daquele que ronda o mundo corporativo, principalmente porque o trabalho de uma babá tem um diferencial muito importante: ao mesmo tempo em que a funcionária deve agir como “profissional”, devendo executar suas tarefas de modo exemplar, respeitar e ser respeitada com relação às leis trabalhistas, há também, por trás, uma expectativa de que ela se comprometa com um envolvimento emocional. Muitos pais esperam que ela seja carinhosa e que tenha o mesmo cuidado que eles têm com os filhos, que participe na educação e em alguns casos, que se apegue afetivamente à criança. Diante destas questões, como fica a pergunta sobre qualificação?

Esta profissão surgiu para atender a necessidade da família, mas não há uma preparação formal para o exercício desta função, por mais valiosa e necessária que ela seja. É importante que esses profissionais sejam desenvolvidos com relação ao trato pessoal, a comunicação interpessoal e mais ainda, saber a dimensão que um trabalho como este possui. É importante conhecer os efeitos de um trato inadequado com uma criança, as marcas que determinadas palavras e atos podem deixar. Por que tocar o corpo do bebê de um jeito e não de outro? (lembrando que um banho não é só um banho, nem uma troca de fralda é somente uma higiene). Conhecer muito bem a técnica não é suficiente. Muitas vezes são pequenas atitudes que fazem toda a diferença.

É comum estes profissionais não terem tido oportunidade de aprender um pouco mais a respeito destas particularidades e terem vivido uma infância muito diferente da infância das crianças que cuidam.

Para tornar mais complexo este trabalho, ainda existem as dificuldades no relacionamento com outros funcionários da casa ou até mesmo com os pais da criança que mesmo insatisfeitos, acabam aceitando determinadas atitudes da babá por falta de opção, por se sentirem dependentes deste profissional. E não raramente alguns pais  se sentem reféns das babás, já que os filhos estarão sob seus cuidados e, deste modo, preferem não criar mal-estar.

Enfim, é uma relação difícil para ambos os lados e também não é fácil para estes profissionais conciliar trabalho, intimidade e ainda um acordo implícito de afetividade.

Foi pensando no valor inestimável dos filhos e na dificuldade de encontrar profissionais qualificados para cuidar deles que criamos um curso para  babás.

O diferencial deste curso é que ele visa desenvolver a babá nos aspectos relacional, cognitivo, promovendo também sua valorização. Visa o trato com o bebê de modo mais apropriado, fortalecendo o vínculo de confiança e um relacionamento adequado com a família.

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PSICANÁLISE PARA BEBÊS, É POSSIVEL?

Parece estranho ouvir falar em psicanálise para bebês, mas na verdade o que é possível ser analisado é a relação da díade mãe-bebê ou dos pais-bebê e intervir a partir daí.
Em geral, a ajuda de um psicanalista é solicitada quando não se encontra resposta para determinados tipos de problemas que estão acontecendo com o bebê (choro muito frequente, dificuldades na alimentação, sono, problemas gástricos, respiratórios, entre outros) ou quando os recursos da medicina se esgotaram.
Este tipo de intervenção é feito porque se entende que aspectos inconscientes dos pais (questões fantasmáticas) e questões relativas à dinâmica familiar atuam fortemente na estruturação psíquica do bebê, de modo muito precoce, a partir dos primeiros dias de vida. E o bebê produz sintomas para aquilo que não pode ser simbolizado por ele.
O modo como os pais se relacionam com o filho, aquilo que sentem, o modo de educar está impregnado das relações vividas por eles e até por outras gerações. Este recriar de experiências não necessariamente é problemático, mas passa a fazer parte do modo de interação atualizado nesta família.
Mais surpreendente ainda é a criança responder do lugar onde ela é colocada na fantasia dos pais, como se fosse um processo retroalimentado. Por exemplo, uma criança pode ser vista e tratada pelos pais como frágil. Esta pode passar a reagir como tal, aceitando ser nomeada desta forma e reforçando o modo de ser tratada.
Um atendimento com os pais e o bebê ou a mãe e o bebê possibilita analisar a relação entre eles através das verbalizações, da interação corporal e não-verbal, dos sentimentos que aparecem e de como interagem os pais entre si e com o filho. Até mais que isso, os avós também são trazidos, por meio da fala dos pais, para este momento. Em geral a família põe em cena aquilo que precisa ser dito para que o bebê deixe de ser o porta-voz com seu sintoma. Deste modo, o psicanalista ali presente pode sinalizar o que não foi possível ser revelado de outra forma.
Muitas vezes somente em abordar os pais sobre o cenário familiar ou dar um espaço para escutá-los, já promove algum efeito, algum deslocamento de posições. Os resultados são muito positivos.
Ocorre, porém que antes de chegar a um psicanalista, os pais procuram um médico, e não são muitos os médicos que tem uma visão que ultrapasse o sintoma.
Da mesma forma, as pessoas em geral não imaginam que um bebê tão pequeno possa sinalizar com seu sintoma que algo não esteja bem na família ou na relação com um de seus pais.   Talvez se deva ao fato de ser muito subjetivo esse modo de abordar o problema.
O ideal seria que os profissionais se valessem do conhecimento de diferentes campos do saber para uma abordagem mais ampla daquele que busca ajuda.
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CHUPETA: ALIADA NOS PRIMEIROS MESES – E DEPOIS ?

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Definição de chupeta: objeto que usamos para acalmar um bebê quando não sabemos mais o que fazer.
Claro que esta não é a definição do dicionário… É uma dedução do que acontece na prática em muitos casos. Chamo a chupeta de aliada porque ela auxilia na hora de acalmar um bebê, mas com o passar do tempo fazemos de tudo para que a criança não a queira mais.
Nem todos os bebês tem necessidade de sugar a chupeta, mas ela pode ser  um objeto bem-vindo em algumas poucas situações,  por exemplo, para atender a necessidade de sucção dos primeiros meses de vida de um bebê que não mama no seio materno.
Dizer às mães para não darem chupeta a seus filhos é muito difícil porque lidar com o choro do filho não é tarefa simples, dá trabalho e angustia. E já que na maioria dos casos a chupeta será mesmo usada, então é melhor que as mães sejam orientadas. Veja algumas dicas  e orientações importantes.
É válido dar a chupeta para o bebê? Sim. É válido, mas penso que não deveria ser a única nem a primeira alternativa a ser escolhida para acalmar o filho.
Primeiro vamos ver porque a chupeta acalma.
A boca é a primeira região na qual o bebê obtém prazer. Deste modo, a sucção é o primeiro ato prazeroso do bebê e muito importante para a estruturação do aparelho psíquico. É assim que se inicia a relação com o Outro, a psicossexualidade infantil. A sexualidade está presente desde a infância. Vale lembrar que no adulto o prazer oral está presente também, embora menos preponderante, no ato de beijar, no prazer em falar, comer, beber e fumar.
Então, sugar é um calmante prazeroso para o bebê, mas não é por isto que ele deve estar com uma chupeta na boca dia e noite como vemos em casos de crianças que a usam durante um passeio de carrinho, para ver TV ou brincar. Nestas situações qual seria a função da chupeta?
A chupeta é um recurso muito prático para acalmar o bebê, mas nem sempre o motivo que o leva a chorar é a necessidade de sugar. Muitas vezes a palavra, o colo, o carinho, o aconchego são suficientes.
Em algumas ocasiões, pais, babás e avós não valorizam a palavra e o aconchego como meio principal para se relacionar com o bebê, principalmente nos momentos de choradeira.
 É preciso acreditar que o bebê ou a criança um pouco mais velha compreende e se satisfaz com o que dizemos a ela. Nem sempre o “cala-boca”, popularmente conhecido como chupeta, é a solução que ela deseja. Como disse acima, a chupeta acalma o bebê, mas não resolve uma dor ou frustração, por exemplo, quando é este o motivo do choro de uma criança contrariada. A chupeta dada como resposta pelos adultos a este tipo de situação (frustração, birra) nunca é eficiente. O colo, o carinho, a palavra certa e verdadeira (a criança sente quando é verdadeira) são muito mais eficazes e ajuda a criança a crescer, a abrir mão da chupeta em troca de algo que atenda mais suas necessidades.
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OS DEZ PASSOS PARA O SUCESSO DA AMAMENTAÇÃO

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O aleitamento materno tem sido uma preocupação mundial. Em 1990, foi realizado um encontro na Itália com representantes de vários países e o Brasil foi um dos 12 países escolhidos para dar partida à IHAC (Inicativa Hospital Amigo da Criança), formalizando o compromisso de fazer dos Dez Passos uma realidade nos hospitais do nosso País. Programas foram criados para serem implantados nos hospitais, visando o incentivo à amamentação. O objetivo é diminuir o índice de mortalidade, morbidade e desnutrição infantil.
Os hospitais que adotarem estes programas são reconhecidos como Hospitais Amigos da Criança.
E os 10 passos são:
1 – Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, que deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipe do serviço.
2 – Treinar toda a equipe, capacitando-a para implementar essa norma.
3 – Informar todas as gestantes atendidas sobre as vantagens e o manejo da amamentação.
4 – Ajudar a mãe a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto.
5 – Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos.
6 – Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que tenha indicação clínica.
7 – Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia.
8 – Encorajar a amamentação sob livre demanda.
9 – Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas.
10 – Encorajar o estabelecimento de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar.
Veja a lista dos hospitais neste site:   http://www.unicef.org/brazil/pt/hospitais_ihac_junho09.pdf
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SEU FILHO DORME BEM A NOITE?

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A qualidade e o período de sono de uma criança costuma ser uma grande preocupação dos pais. Dormir com os pais? Acordar para mamar? Dormir com a chupeta? Acordá-lo para ir ao banheiro? Deixar chorar para se acostumar a dormir sozinho? Enfim, há muitas questões em torno deste tema, porém cada caso deve ser analisado separadamente.
Uma questão vista com freqüência são pais que, na ânsia de querer ver seus filhos independentes, acabam apressando demais determinados comportamentos. A autonomia é realmente importante, mas deve ser compreendida nas dimensões bio-psico-social, já que é construída no decorrer do tempo e anda passo-a-passo com a maturidade neurológica e psicológica.
A infância é um período longo a ser trilhado e é neste tempo que a criança precisa sentir-se segura para dar seus passos sozinha em direção a autonomia. Quanto mais os pais forem sensíveis às necessidades dos filhos, entendendo que nem sempre um choro significa manha, que ter medo à noite faz parte de alguns momentos na vida e que pode ser necessário estar por perto na hora de dormir, por exemplo, mais segura a criança se sentirá e mais facilmente atravessará estes momentos.
Entender as necessidades da criança não é algo fácil, é preciso escutá-la, observá-la e como não há uma regra rígida para lidar com os filhos, eles mesmos darão a dica se os pais estão indo ou não pelo caminho mais adequado.
Contudo, existem algumas ações no dia-a-dia que podem ser experimentadas e avaliadas em cada caso para uma boa hora de sono.
Vejam a seguir:
Estabelecer uma rotina desde o início da vida pode ajudar pais e filhos no dia-a-dia. A rotina ajuda a conhecer melhor as necessidades do bebê e prever determinados comportamentos. Só se deve ficar atento para que não haja exageros na rigidez de regras que podem mais atrapalhar do que ajudar.
  • Durante o dia, mantenham uma regularidade das sonecas, da hora do banho e da alimentação. Isto ajuda muito na extensão dos ciclos de sono noturno. É uma medida simples, mas depende da família também se organizar. Isto também ajuda a prever as reações e saber as necessidades de seu filho naquela determinada hora em que está acostumado a comer ou dormir, por exemplo.
  • Evitem a mamadeira no meio da noite para a criança voltar a dormir. Este não é o único recurso para mantê-la dormindo. Em todos os casos, cabe avaliar se a criança ou bebê está com suas necessidades nutricionais atendidas. Esta recomendação não é válida para os bebês que nos primeiros meses devem mamar à noite, principalmente se a mãe amamenta.
  • Para a soneca durante o dia mantenham o ambiente mais claro. O bebê precisa diferenciar o sono diurno do noturno, quando deverá dormir por mais tempo.
  • Evitem atividades muito agitadas próximo da hora de dormir.
  • Escolha um horário para se “preparar” para dormir: tomar banho, trocar a roupa, contar histórias, ouvir música. São situações que diminuem o ritmo da criança.

Existem diferentes variáveis que concorrem para um sono tranqüilo ou agitado, como por exemplo, a exposição a determinados estímulos durante o dia, questões emocionais ou a saciedade da fome. Tudo deve ser avaliado caso a caso.

E tenham uma boa noite !

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VOCÊ SABIA QUE OS HOMENS TAMBÉM ENGRAVIDAM?

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A gestação está cada vez menos restrita ao universo feminino e mais presente no mundo masculino. Isto vem acontecendo, muito provavelmente, desde que a mulher começou a dividir suas funções com o marido, entre elas a dos cuidados com o bebê.
A chegada do novo bebê exige uma preparação do pai tanto no aspecto emocional como social, quando precisará rever sua experiência como filho e todas as novas responsabilidades neste novo papel. Esta preparação pode até mesmo fazê-los desenvolver sintomas físicos e psicológicos (enjoos e desejos, por exemplo) semelhantes aos da mulher devido ao forte envolvimento com a gestação, com a futura mãe e com sua história passada. Este conjunto de sintomas chama-se Síndrome de Couvade.
Mesmo com a proximidade do pai maior do que se via em outros tempos, ainda podemos afirmar que há uma diferença fundamental na construção do vínculo materno e do paterno com o bebê. A primeira delas está no fato do pai não poder vivenciar o bebê no ventre como a mãe e nem poder amamentar. Além disto, o bebê pode despertar ciúmes no pai que ainda pode se tornar mais forte após o nascimento do bebê, caso a mãe não o inclua na relação, pois o vínculo paterno também é mediado pela mãe.
O apego do pai ao bebê começa nos cuidados com a gestante, com os preparativos para a chegada do bebê e com a preparação para paternidade. Quando o pai fica longe deste processo não é raro ver a mãe envolver-se com seu filho de tal modo a ponto de não deixar espaço para o pai participar, seja nos cuidados, seja na transmissão dos valores ou na educação. No caso do pouco envolvimento do pai, o saber sobre o filho fica sendo todo da mãe, e só ela pode entender o que seu bebê precisa. E se a mãe sempre demonstra que do jeito que o pai cuida não está bom, ele vai deixando mesmo tudo por conta dela e fica a parte da relação.
Cuidar do bebê é uma preciosa oportunidade para que o sentimento de paternidade se desenvolva. Este sentimento que é construído em tempo diferente da mulher, mas que já pode começar antes mesmo do filho nascer. Na verdade não são os cuidados que fazem a diferença, mas a relação e afetividade que se colocam presentes nestes momentos. Um banho pode ser mais que um banho, levar o filho à escolinha pode ser mais que um trabalho de paitorista. Situações como estas podem fazer diferença no envolvimento entre pai e filho.
Também faz diferença a relação entre o marido e a mulher. Quanto mais próxima for a relação amorosa entre os dois, menor a chance dela buscar um vínculo exclusivo com o bebê, deixando o marido em segundo plano. É fácil perceber quando isso acontece. A mulher passa a descuidar de sua aparência, a não ter mais interesse na relação sexual, a não ter tempo para o marido. Os maridos devem buscar essa aproximação com a mulher para que ela possa desviar um pouco esse olhar exclusivamente dirigido para o seu bebê.
Por isso, mamães, deixem os pais cuidarem do bebê do jeitinho deles, se for preciso depois vocês dão o toque maternal naquele lacinho que ele não soube colocar. Isso fortalece o vínculo entre pai e filhos que é tão necessário para o desenvolvimento do bebê e saúde da família.
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OS MUITOS MOTIVOS PARA INCENTIVAR O ALEITAMENTO MATERNO MAIS PRECOCEMENTE POSSÍVEL

Benefícios para o bebê:
  • O leite materno (colostro nos primeiros dias) é a primeira vacina do bebê. Possui os anti-corpos que a mãe adquiriu ao longo da vida e que agora transmitirá para seu filho, garantindo o menor risco de mortalidade neonatal. Isso nenhum leite terá, só o materno
  • Protege contra infecções e alergia
  • Possui todas as vitaminas, proteínas, gordura, sais minerais, água e tudo mais que o bebê precisa
  • A amamentação precoce estimula a produção e descida do leite
  • Fortalece o vínculo a ser construído
  • Ajuda na eliminação do mecônio
  • Diminui o estresse pós-parto
  • Estimula o crescimento da mandíbula e da face corretamente, através da sucção realizada pelos músculos que são utilizados para ordenhar a mama da mãe
  • O leite materno é de fácil digestão e por isso o bebê mama mais frequentemente e tem menos cólicas.
  • Amamentar já na primeira hora garante o aleitamento materno no Hospital, o que nem sempre vem acontecendo, já que em muitos hospitais o contato com a mãe é tardio.
  • Dá o acolhimento ao bebê em sua chegada ao mundo extra-uterino, tão estranho a ele.
  • Acalma o bebê, sua respiração encontra um ritmo adequado, sua temperatura se estabiliza
  • Mesmo que o bebê não mame imediatamente ao ser colocado no peito da mãe, pode-se aguardar alguns instantes para que ele mesmo procure o peito. Se isso não acontecer também não deve ser motivo para frustrações. Mantenha-o no mesmo quarto (alojamento conjunto) que não demorará muito ele estará mamando
  • Em alguns casos a mãe não pode amamentar: casos em que há risco de transmissão de doenças (HIV, Hepatite, e outros)

 

Benefícios para a mãe

  • Previne o câncer de mama, de ovário, anemia e depressão pós-parto
  • Estimula a contração uterina, reduzindo a possibilidade de hemorragia pós-parto
  • A barriga diminui mais rápido em função das contrações
  • Não tem custo, o leite é de graça!
  • Fortalece o vínculo a ser construído
  • Proporciona satisfação para a mãe
  • Espaçamento entre gravidezes se o aleitamento for exclusivo de dia e à noite e sob demanda. Consulte seu médico pra receber orientações quanto a medidas eficazes para evitar a gravidez neste período.

Recomenda-se amamentar na sala de parto. Converse com seu médico. E se todas as condições da mãe e do bebê na hora do nascimento forem favoráveis, não deixe passar esta oportunidade!

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POR QUE É IMPORTANTE QUE AS AVÓS SEJAM INFORMADAS SOBRE A AMAMENTAÇAO HOJE EM DIA

A presença das avós é fundamental na ocasião do nascimento do bebê. Não só pela sabedoria delas, mas pelo que representam para as filhas. Quando a mulher tem seu filho são necessários muitos cuidados em torno dela e do bebê.  Eu diria que os cuidados devem ser maiores em torno da própria mãe, principalmente para que ela fique inteiramente disposição do filho para amamentá-lo.
A mulher que escolhe amamentar precisa saber que para isto é necessário muita persistência, paciência e desejo. Além disto, ela precisa estar tranquila, bem alimentada e descansada. Ora, como estar com tudo a seu favor se não houver por trás um rede de apoio? Em geral esta rede é  formada pelo pai, avós, familiares ou amigos mais próximos à mãe. Por este motivo, é muito importante que as avós, que em geral estão muito presentes, estejam informadas sobre a importância do aleitamento materno e como ajudar a promovê-lo.
O ato de amamentar nem sempre foi visto e entendido da mesma forma ao longo dos anos. Por ser um comportamento bio-psico-social seu valor passou por várias transformações e com certeza da época em que as avós tiveram seu filhos até os dias de hoje, muitos estudos foram feitos a respeito do leite materno e do ato de amamentar. Uma crença muito comum é entender a capacidade para amamentar como algo a ser “herdado”. Herdado não é, mas encontramos muitas mulheres que dizem que a mãe, a irmã ou a avó não tiveram leite e que por isso ela também não tem ou não terá. Esta transmissão entre gerações não é verdadeira. Mas a fala da avó tem peso e grande influência sobre a mãe do bebê e pode influenciá-la a ponto desta não levar adiante a amamentação.
Para o sucesso da amamentação é muito importante que as avós se atualizem para que suas filhas e noras não sejam encorajadas a oferecer leite complementar diante do primeiro obstáculo. Sabemos que em ocasiões muito específicas outro leite que não o materno,  deve ser introduzido, mas as condições da dupla mãe-bebê devem ser muito bem avaliadas antes desta decisão.
             Este é um convite para as vovós que queiram fazer a diferença na vida de um bebê – seu neto!
                                              Venha trocar experiência com outras avós e se reciclar.

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O NARCISISMO E A RELAÇÃO PAIS-BEBÊ

 

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O termo narcisismo deriva do mito grego, segundo o qual o jovem Narciso era fascinado por sua própria imagem. Este termo assumirá sua importância na teoria psicanalítica a qual indica uma fase necessária da evolução da libido. É empregado em psicanálise para designar o amor de um sujeito por ele mesmo antes de se dirigir a um objeto – amor objetal.

O ser humano tem a necessidade de ver sua imagem reproduzida e o  narcisismo está presente no desejo de gerar filhos, de se “auto-duplicar” e se imortalizar, dando continuidade a seu ser.

Este desejo de continuidade também se estende à transmissão dos ideais e valores familiares e a criança é vista como um elo entre as gerações. Assim se dá o processo de filiação através do qual a criança irá se identificar com os personagens de sua história familiar.

Tal desejo de continuidade e processo de filiação se inicia mesmo antes de o bebê nascer, já por ocasião das fantasias dos pais, do que sonham para seu filho.  A escolha do nome e sobrenome que ele receberá também contém uma marca bastante significativa, portando, muitas vezes, a história de algum ente querido vivo ou já falecido. Também é muito comum dar ao filho o mesmo nome do pai. Talvez no homem este narcisismo seja mais forte.

O sentimento de continuidade dá aos pais também a sensação de ser possível um resgate, através dos filhos, de seus sonhos acalentados desde a infância, porém não realizados.

Não há como evitar os efeitos do narcisismo dos pais sobre a criança. E o desejo daqueles pode ser mais ou menos determinante nas escolhas dos filhos.

O desejo narcisista é indispensável, fundamental para que os pais se vinculem ao bebê e vejam nele um potencial de realização do que ficara perdido para trás. Esta promessa de realização é a explicação para o fato dos pais abrirem mão de muitas de suas necessidades, agora projetadas sobre o bebê. Quanto maior a dedicação ao filho, maior a expectativa de vê-lo bem-sucedido e seu narcisismo satisfeito.

O que ocorre quando um filho não retorna aos pais as realizações esperadas, frustrando-lhes? As diferentes respostas  que os filhos dão às expectativas dos pais explicam as diferenças nas afinidades entre pais e filhos e dá àqueles a dimensão de seu (in)sucesso na criação de um filho.

No caso de um bebê que nasce com alguma deficiência pode haver um golpe inicial no narcisismo dos pais que não vêem naquele bebê o elo esperado, o bebê idealizado.  Porém, este bebê também precisa ser investido narcisicamente para sobreviver, os pais precisam reconhecer algo deles, a sua imagem, no filho.

Neste último caso, passado o luto pelo bebê idealizado em troca do bebê “real” (luto que também é vivido em casos de bebês “normais”, pois nunca o bebê real será igual ao idealizado), será possível fazer o devido investimento emocional necessário à sobrevivência física e psíquica do bebê. E, com certeza, até nestes casos, os pais poderão ter suas realizações tão esperadas e o mesmo retorno de terem sido pais eficientes e orgulhosos de seu filho.

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CURSO DE PREPARAÇÃO PARA MATERNIDADE E PATERNIDADE

 Pra quê?

O nascimento de um filho e a amamentação são experiências que mobilizam muito emocionalmente a mulher e a família. E como nem sempre acontecem da maneira esperada  é muito importante obter o máximo de informações e trocar opiniões para melhor lidar comas situações novas e as dúvidas que possam surgir.

Nestes momentos os pais estão expostos a opiniões divergentes de diferentes pessoas – a experiência das avós, a opinião da babá, o conselho de amigas, a orientação do pediatra entre outras.  E o que fazer diante de tantos certos e errados?
O curso de preparação para maternidade e paterniade é uma oportunidade valiosa para os pais entrarem em contato mais íntimo com este momento, com seus sentimentos e com as questões que vão surgindo. Isto facilita a tomada de decisões e os pais recebem  acolhimento para prepará-los para o primeiro encontro com o bebê.
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BRINCADEIRA INFANTIL – INTERAÇÃO COM A BABÁ

A infância é um tempo de constituição, mais que uma etapa da vida, a infância é uma condição da experiência humana, e brincar é uma atividade fundamental, tipicamente infantil e insubstituível. Através da brincadeira e da fantasia ela constitui seu mundo simbólico, organiza suas experiências, seus sentimentos e dá significado àquilo que atravessa a relação com os adultos.

Brincar faz parte do processo de educar, processo que continua sendo o maior desafio de todos os tempos. Tendo em vista que os pais ficam grande parte do tempo fora de casa, a babá, profissional designada para cuidar dos filhos, é a pessoa que vai interagir muitas horas com a criança. Deste modo, é muito importante que a babá compreenda como a criança se desenvolve, aprende, brinca, simboliza, se organiza e qual o seu papel neste processo para que ela seja facilitadora do desenvolvimento da criança e deste modo poder atender suas necessidades.

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Timidez: característica ou sofrimento?

 

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A timidez é uma característica pessoal e pode ser entendida como uma inibição que se apresenta nas interações pessoais, interferindo mais ou menos intensamente no modo de relacionar-se. As pessoas tímidas costumam ter um excesso de preocupação a respeito do que as outras pessoas podem pensar sobre elas. Deste modo, evitam expor suas ideias, pensamentos e desejos, prejudicando muitas vezes seus relacionamentos e a imagem que transmitem de si mesmos.

O tímido pode passar uma imagem distorcida a respeito de si porque em geral expõe de maneira moderada seus pensamentos e sentimentos, se protege em demasia o que faz com que as pessoas o conheçam pouco. Pode também passar uma ideia de antipático, frio ou inseguro, sendo alijado de reuniões sociais por interagirem pouco.

Embora cada sujeito seja único, podemos falar de algumas características no geral que podem ou não estar presentes em cada um. Na maioria das vezes, as pessoas tímidas são menos falantes, não gostam de se expor em público, frequentemente desviam o olhar do seu interlocutor (o olhar revela o que a pessoa sente. Para ocultar seus sentimentos algumas pessoas desviam o olhar), falam com a boca mais fechada – entredentes, articulando menos as palavras, falam com volume mais baixo, são pouco assertivas, não sustentam uma opinião própria diante de pessoas que se opõem a elas, podem ter a auto-estima reduzida, podem ser inseguras, podem não gostar de sua aparência fisica.

Além disto, o modo como cada um se posiciona diante dos acontecimentos da sua vida poderá fazer muita diferença. Por exemplo, a timidez pode estar presente somente em determinadas situações e diante de determinadas pessoas ou de modo generalizado para quase todas as situações da sua vida. Pode acontecer, portanto, de uma pessoa ficar tímida somente quando está em evidência, ao falar em público ou na conquista amorosa.

O que marca a diferença entre o modo tímido de ser de cada um é sua história de vida e alguns aspectos podem ser relevantes, mais para uns, menos para outros. Alguns indivíduos podem ter sido submetidos constantemente a críticas,  podem não terem sido valorizados em suas ideias, pensamentos e desejos desde a infância, podem ter tido vergonha das atitudes dos pais, podem ter experienciado pouca afetividade na família, falta de encorajamento dos pais para expor seus sentimentos, não valorização dos sentimentos, entre outros.

Algumas pessoas têm uma timidez tão forte que se torna paralisante, impedindo-as de realizar coisas básicas em suas vidas, até mesmo procurar ajuda. E a ajuda pode ser eficaz dependendo do nível de incômodo que a timidez causa naquele indivíduo em particular, e se ele tem vontade de superá-la.

Um tratamento pode levá-lo  a descobrir algo mais a seu respeito, gostar mais de si, ser menos crítico e rigoroso consigo mesmo, aceitar-se mais, mudar sua relação com o olhar do outro, desmistificar o excesso de expectativa que em geral o tímido tem a respeito das demais pessoas e que o leve também a perceber que todos são falíveis.

Se a timidez for impeditiva de estabelecer relacionamentos saudáveis e estes forem conflituosos por demais, os campos amoroso e profissional poderão ficar muito comprometidos. O tímido tem muita dificuldade de demonstrar sua afetividade com medo de ser rejeitado pelo outro. Numa relação amorosa o parceiro pode tirar conclusões erradas se a pessoa tímida silenciar ou se afastar. Com relação a uma conquista, em geral, ela tem uma postura de aguardar a sinalização da pessoa por quem está interessado para então tentar demonstrar seu interesse. Ela não considera a possibilidade de correr algum tipo de risco, pois a recusa é sempre vista como rejeição, e isto não é bem suportado por uma pessoa tímida. Com isto, muitas oportunidades podem ser perdidas.

Na vida profissional, pode ser muito difícil saber se colocar diante de um grupo ou diante de pessoas com o cargo hierarquicamente acima de seu. E para desenvolver bem sua atividade é muito importante saber se comunicar com clareza, trocar de opiniões, impressões, saber dar e receber feedbacks, pedir a colaboração de um colega, mostrar suas dificuldades na execução de alguma tarefa, até mesmo dizer que não está sendo capaz de fazer algo.

No caso da criança, por ainda estar em formação, esta característica se confunde com outras, até porque a maneira com que ela se relaciona com outras crianças é diferente da maneira com que interage com os adultos e, com estes, a criança pode ter mais dificuldades de se mostrar pelo que representam enquanto autoridades para elas. Contudo, os pais devem observar em que situações seus filhos se mostram tímidos e devem estar atentos para ver se esta timidez é paralisante para ele, impedindo-o de interagir com as pessoas. Muitas vezes a criança se queixa que está sendo excluída do grupo, quando, na verdade, é ela mesma que se exclui por sentir-se rejeitada. Os pais também devem analisar suas condutas ao lidarem com seus filhos no que se refere à rigidez, falta de espaço para escutá-la (preocupam-se mais em falar), excesso de críticas, perfeccionismo, sua própria auto-estima e pouca demonstração de afeto.

Na adolescência é comum e compreensível certo grau de timidez estar presente por medo da crítica e pela necessidade de aprovação do grupo. Os adolescentes não querem parecer diferentes e nem se destacar. Por isso não gostam de se expor, pois as diferenças individuais sempre vão aparecer, queiram eles ou não, e os adolescentes não poupam críticas sobre aquilo soa diferente.

Algumas atitudes dos pais podem ajudar, tais como: demonstrar interesse pelos sentimentos dos filhos, valorizar suas ideias, pedir que se coloquem com mais frequência, pedir sua opinião, se interessar pelo que está acontecendo na vida deles, ouvir sem criticá-los e jamais expô-lo em público. Aliás, estas atitudes são importantes para TODOS os filhos, mesmo aqueles que não são tímidos.

O tratamento por meio da palavra, (e a psicanálise  é uma excelente opção) pode oferecer a possibilidade do sujeito se reposicionar diante das pessoas e da vida. Isto poderá ajudá-la a superar essa fonte de sofrimento e limitação.

Não há receitas para diminuir a timidez, mas certamente depende muito mais da pessoa. Não é tarefa fácil. Em geral, não se tem ideia de como os tímidos se sentem aprisionados e como isso gera ansiedade e sofrimento.

Deixo algumas sugestões para serem pensadas em relação ao campo afetivo e profissional

• Não tente parecer o que você não é. Seja você mesmo. A timidez é uma característica sua até que você queira e consiga mudá-la.

• Tire proveito de sua timidez. Nem sempre a timidez é uma característica  negativa.  Em muitas situações um pouco de reserva e menos exposição são desejáveis, adequados e denotam maturidade.

• Enfrente o olhar do outro. Descubra que é possível falar com o olhar aquilo que você não consegue dizer com as palavras. O olhar e o sorriso abrem o canal de comunicação, aproximam as pessoas e sempre revelam o que elas sentem.

• Se possível, comunique seus sentimentos. As pessoas valorizam e admiram aqueles que têm coragem de dizer o que sentem, sem esquecer-se de respeitar o outro.

• Revele-se: com certeza você tem algo importante a dizer. Escolha a pessoa certa e o momento mais adequado para se fazer ouvir.

Numa entrevista de emprego:

• Prepare-se antes para a entrevista: relacione tudo que você acha importante ser dito para conquistar aquela vaga.

• Mostre suas capacidades: se você não conseguir deixar claro o que é capaz de realizar poderá ser subavaliado e ser direcionado para uma função aquém da sua capacidade.

• Descubra qual o seu diferencial : certamente, apesar de ser  tímido, você vai descobrir que desenvolveu habilidades e capacidades que podem ser valorizadas.

• Organize suas idéias: isto é importante para não ter uma fala desconexa mediante o nervosismo.

• Relacione as coisas mais importantes que você realizou: vai descobrir que você tem seu valor.

• Seja objetivo: Responda somente o que for perguntado.

• Olhe para o entrevistador: procure encontrar, algumas vezes, o olhar do entrevistador, mas sem fixá-lo exageradamente.

• Seja natural: a naturalidade deixará você menos tenso.

• E o mais importante: SEJÁ ÉTICO! Não diga nada que não seja verdadeiro e sincero.

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