POR QUE AS MÃES FALAM MANHÊS?

Manhês é como chamamos a linguagem especial que a mãe usa para falar com seu bebê e traduz afetividade. Este modo de falar tem relação com a função materna, por isso é usada em geral pela pessoa que cuida do bebê (não necessariamente só pela mãe) e que tem uma relação de afeto com ele.  Esta forma de falar é observada também em outras culturas.

Podemos ir ainda um pouco mais longe… Esta forma carinhosa de falar também é usada com animais de estimação, que para alguns são verdadeiros bebês! Porém, ainda não tive acesso a nenhuma pesquisa científica sobre os animais. Só me refiro a observações cotidianas.

Esta linguagem tem características próprias como: palavras no diminutivo (lindinho da mamãe!), ausência ou troca de fonemas (papá ta gotoso?), timbre agudo da voz, frases simples e o uso da 1ª pessoa do singular para falar no lugar do filho, como se fosse ele falando.

Quando a mãe fala com seu bebê ela promove um verdadeiro diálogo porque provoca reações prazerosas no bebê (sorrisos, gestos, gritinhos e vocalizações) que funcionam como respostas e que por sua vez reforçam a fala da mãe. Esta responde ao filho como se ele estivesse verbalizando algo.

Somos nós, pais, que interpretamos as reações e necessidades do bebê, o que ele sente e o que ele quer, dando significados a tudo isso, de acordo com nossa subjetividade e nosso desejo. É desta forma que o introduzimos no mundo simbólico. E isto, num primeiro momento, é necessário para que ele sobreviva e é estruturante no que diz respeito ao desenvolvimento do seu psiquismo.

Observamos que essa fala dá lugar a uma estrutura de linguagem mais natural e menos infantil com o passar dos meses.

Neste jogo simbólico a linguagem que a mãe utiliza para falar com seu bebê é reflexo de um movimento regressivo por parte dela para identificar-se com seu filho e poder atendê-lo em suas necessidades. E o bebê, por sua vez, ao emitir suas vocalizações, também está identificando-se com o falar da mãe.

Pesquisas mostram que quanto mais falamos com o bebê, mais ele vocaliza ou balbucia. É um processo retroalimentado.

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